quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Poesia...

Poesia é, talvez, a expressão de sentimentos, emocões e sentidos do poeta em relação àquilo que o rodeia. A poesia consegue tornar visível algo abstrato como os sentimentos, em realidades quase palpáveis.
Uma das formas mais representativas da poesia é o lirismo que não é mais do que a expressão do "eu".
É uma arte; é um dom que só alguns possuem. É con seguir fazer chorar a partir de um motivo para rir. É tão somente viver poesia.


E para deslizar nos grãos de areia deste córrego trago hoje a poesia de Cecilia Meireles.


LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


sábado, 14 de novembro de 2009

Há um caminho a percorrer...

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Poema ilustrado
Fonte: Jornal da Poesia - Fenando Pessoa
Música - La Valse des Monstres
Imagens: Imagebank


Como é por dentro outra pessoa




E para refletir no fim de semana, mais uma mensagem deste grande poeta.

"Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."


Fernando Pessoa


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Esses dias...

Vou caminhando rumo ao córrego,
de areia está cheio os meus olhos.
Não consigo enchergar bem o caminho,
mas sigo em frente, não posso parar.

A todo amanhecer há esperança
renovada, continuo acreditando
que os dias são como lições...
precisamos aprender e ensinar.

É isso mesmo, eu me aventurando a escrever vesos.


Foto: Izelda Maia

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Mas agora deixo aos que visitam o Córrego de Areia, a verdadeira poesia.
Da nossa incomparável Cora Coralina, o poema:

NÃO SEI...

Não sei... se a vida é curta...

Não sei...
Não sei...

se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

demorei, mas voltei...



Foto: Carlinhos Medeiros



Estou voltando!


Após involuntária e longa ausência, com o coração cheio de saudades, estou voltando...

fiquei durante esses meses sem acessar o Córrego de Areia, a minha janela de interação com a globosfera, e creia, senti falta desse convívio. E apesar de eu não está diariamente neste mundo virtual fiquei com saudades desta gostosa convivência.

Este espaço, que é minha querência, meu cantinho de sonhos e realidade, espaço de poesia, de amizade, interação sadia e coexistência, e me faz muito bem.

Infelizmente sei que a minha assiduidade, talvez não seja como eu gostaria, mas estou feliz de sentir vontade de está aqui. Estou contente por voltar.
Estou com saudades, muitas saudades.


Izelda Maia

terça-feira, 30 de junho de 2009

Poesia nordestina

Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor.


Interprete: Amelinha


Composição: Otacílio Batista / Zé Ramalho



Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor

A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor


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Zé Ramalho, nome artístico de José Ramalho Neto, (Brejo do Cruz, Paraíba, 3 de outubro de 1949) é um cantor-compositor brasileiro.

O cantor, com sua voz cavernosa, tem uma maneira própria de compor e cantar, misturando ritmos e tendências diversas.

Suas influências musicais são uma mistura de elementos da cultura nordestinaJovem Guarda (Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Golden Boys), a sonoridade dos Beatles e a rebeldia de The Rolling Stones, Pink Floyd, Raul Seixas e Alex Luiz e principalmente Bob Dylan. Há elementos da mitologia grega e de histórias em quadrinhos em suas músicas. Esta variedade, que para muitos torna o seu trabalho atemporal, pode ser considerada uma das principais responsáveis pela conquista de diversas gerações.


Otacílio Batista Patriota

Poeta repentista, o mais novo dos três famosos irmãos Batista (além dele, Louro e Dimas), Otacílio Batista Patriota nasceu a 26 de setembro de 1923, na Vila Umburanas, São José do Egito, sertão pernambucano do Alto Pajeú.

Filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Guedes Patriota, ambos paraibanos, Otacílio participou pela primeira vez de uma cantoria em 1940, durante uma Festa de Reis em sua cidade natal. Daquele dia em diante, nunca mais abandonaria a vida de poeta popular.

Em mais de meio século de repentes, participou de cantorias com celebridades como o Cego Aderaldo e outros. Conquistou vários festivais de cantadores realizados nos estado de Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.

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Entre os folhetos de Cordel que Otacílio publicou estão os seguintes: A Morte do Ex-Governador Dix-Sept Rosado; Versos a Câmara Cascudo; Peleja de Zé Limeira com Zé Mandioca; Peleja do Imperador Pedro II com o Rei Pelé. Todos consagrados junto aos leitores nordestinos.

Otacílio Batista publicou, ainda, vários livros. Entre os quais, destacam-se: Poemas que o Povo Pede; Rir Até Cair de Costas; Poema e Canções; e Antologia Ilustrada dos Cantadores, este último com F. Linhares. Versos de Otacílio foram musicados pelo compositor Zé Ramalho, dando origem à canção “Mulher Nova Bonita e Carinhosa”, gravada inicialmente pela cantora Amelinha e depois pelo próprio Zé Ramalho. A canção foi tema de uma filme brasileiro sobre Lampião, o Rei do Cangaço.

Otacílio Batista Patriota morreu a 05 de agosto de 2003, na cidade de João Pessoa, Paraíba.


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Gente nova na globosfera

No Blog, Corpo Meu, Minha Morada
"Sou desejo, sou luz, sou poesia, sou palavras ao vento...Sou grito, sou a busca infinita...Por amor, por justiça...Sou cronópio!"
Laís Teixeira
Uma pessoa muito especial a quem dedico este post.



Laís Teixeira



Gotas de Arco Íris


As lágrimas que deslizam em tua face
Marcam a imensidão de tua sensibilidade,
Homem chora sim!
Chora por dor, por amor, por temor!

Lágrima pura e doce como o orvalho,
Que limpa e adoça toda a história,
Marcada por sentimentos trancados!

SENHORAS...E..SENHORES...
De hoje em diante,
Qualquer sentimento que brote no coração do ser humano,
Deve ser derramado em uma cascata de emoção!
Desaguar no pote de lágrimas, fazendo nascer um arco íris!

Por: Laís Teixeira
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Hoje, recebemos "O AMOR" de Carlos Drummond de Andrade.



Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.



O AMOR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar
por alguns segundos, preste atenção.
Pode ser a pessoa mais
importante
da sua vida.


Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho
intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando
desde o dia
em que nasceu.


Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os
olhos
encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre
vocês.


Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a
vontade
de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou
um
presente divino: o amor.


Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em
troca
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos
valerem mais
que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.


Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira
e a
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e
enxugá-las
com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em
qualquer momento de sua vida.


Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se
ela
estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente
linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos
emaranhados...


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo
encontro que
está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de
maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...


Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo
assim,
tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você ~
preferir morrer
antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou
na sua vida.
É uma dádiva.


Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam
ou
encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não
prestarem
atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo
acontecer
verdadeiramente.


É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras
do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o
amor.

Carlos Drummond de Andrade

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